O Coxa se surpreendeu com o agora ex-comandante. Jorginho tinha deixado claro em todas as entrevistas que queria ficar. O presidente Samir Namur confirmou, tanto após a volta para a primeira divisão quanto na entrevista que concedeu para a Gazeta do Povo na semana passada, que o interesse era a renovação de contrato. O que se imaginava era que a viagem de Rodrigo Pastana para o Rio de Janeiro fosse apenas para transformar as intenções em um contrato assinado.

O clube já tinha até recebido algumas sugestões de reforços. O técnico se preocupava com a falta de jogadores de velocidade, e tinha indicado Marquinhos Calazans e Helinho, ambos do São Paulo. Tudo dava a entender que o projeto seria mantido.

Só que outro trecho das entrevistas de Jorginho pós-acesso passou batido. Era quando o treinador falava que esperava valorização. Na verdade, o Coritiba até concordava com essa exigência, tanto que ofereceu praticamente o dobro do que o técnico estava ganhando nesta temporada. Aí veio a pedida: um salário para ele e para a comissão técnica que chegava a R$ 450 mil. O valor assustou a diretoria alviverde.

Não há interesse do Coxa em gastar tanto com um técnico. Havia a certeza de que seria preciso pagar salários maiores, mas não o que se considera internamente ‘fora da realidade’ do clube. Por isso, a proposta de Jorginho foi recusada na hora. Como a negociação andou pouco, na manhã de ontem o treinador soube que não haveria mais conversas.

E o que era apenas um olhar ao lado do mercado passou a ser, de uma hora para outra, uma necessidade. A diretoria do Coritiba passou a estudar nomes que poderiam assumir o comando do time – e que tivessem o perfil de liderar a equipe para ter um Brasileirão seguro em 2020, pensando em não correr riscos de rebaixamento e, por tabela, no mínimo garantir uma vaga na Copa Sul-Americana do ano seguinte.

Foi até rápida a decisão sobre o ‘plano A’. Os integrantes do G5 chegaram ao nome de Odair Hellmann, que levou o Internacional à final da Copa do Brasil. Só que, até por entrar na disputa mais tarde, nem houve tempo do Coritiba aprofundar conversas, pois ainda na tarde de ontem Hellmann foi confirmado como novo técnico do Fluminense.

Agora, o nome da vez é Eduardo Barroca, que fez um bom trabalho no Botafogo e subiu com o Atlético-GO. Ele tem um perfil de trabalho que agrada os dirigentes – prefere um time que proponha o jogo e gosta de aproveitar jogadores das categorias de base. Caso não dê certo, Enderson Moreira, que treinou Ceará e Goiás neste ano, entra na disputa.

Enquanto acerta com um técnico, o Coxa terá que resolver questões sobre o elenco. As renovações de Giovanni e Alex Muralha começaram a andar, principalmente do camisa 10. E é praticamente certo o retorno de Guilherme Parede, Matheus Galdezani e Wilson, que voltam como possíveis titulares. A rotina alviverde seguirá agitada nos próximos dias.